terça-feira, 24 de abril de 2012
Poesia- Recompensa
Por tudo que tens sido em minha vida,
bafejos de luz e manso torpor,
na mais bela imagem apetecida
a invadir-me a mente em tão puro ardor...
Por teus carinhos, em bela acolhida,
por teu silêncio, acerca deste amor,
ao entenderes minha alma seduzida
ao tom de teu olhar alentador...
Nos sonhos meus, evocação constante
nas horas tristes, mote esfuziante,
em pleno outono, pleno de energia...
Na vida intensa, alegre, cintilante,
como recompensa, ... Meu Doce Amante,
nada menos que o Céu... eu te daria!
Olga Maria Dias Ferreira
Membro da ASBL-cad.27
LANDELL DE MOURA
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Pitangas de Páscoa
A festa da Imaculada Conceição (8 de dezembro) é tempo de pitangas em Piratini. Pitangas doces da beira dos riachos, no fundo dos campos. Tempos para namoros. Pretexto para caminhar e brincar.
No Laranjal, porém, no passeio da rua e no jardim, a pitanga floresce e amadurece o ano todo. Várias floradas para festa das crianças e dos passarinhos.
Hoje, 8 de abril, domingo de Páscoa, 9 horas, no sol cálido de outono que libera as crianças do friozinho da noite, lá vem Ana (6) e Juliana (4) em suas bibicletas cor de rosa. O olhar solícito da mãe acompanha-as desde a porta de sua casa até baterem no portão da casa do vô. E vêm correndo, bicicletas atiradas no pátio, com abraços e beijos para que o vô não lembre com tanta saudade da vó que se foi há duas semanas. E chegam convidando a Lica para apanhar pitangas.
Dez minutos e estão sentadas, dois copos grandes de pitangas lavadas e frescas:
- Olha essas pretas graúdas, vô, têm um azedinho doce tão bom... essas rosadas, são menores mas mais doces.
Eu olho a ternura infinita daquelas duas netas, de olhos vivos, mais vivos que a vida, e pergunto:
- Por que vocês trouxeram essas deliciosas pitangas para o vô?
- Porque sim, ueh... pra dar pra ti. A gente gosta de ti.
- Então vocês me dão, por nada? Porque sim? Que bom!... Vocês sabem, isto é o mais bonito da vida. Dar as coisas por nada, porque sim, porque gosta... Uma vez eu pensava: por que Deus fez o mundo e as pessoas? E descobri que era por isso: porque sim, por nada, porque gosta, de graça, pra fazer acontecer a alegria no coração da gente... O vô fica feliz porque na festa da Páscoa vocês trouxeram pitangas coloridas e gostosas... Que jeito bonito vocês encontraram para dizer: eu te quero bem.
Uns minutos de filosofia e depois, beijos e traquinagens.
O bando de priminhos chega e a casa se enche de música, de imaginações, de "eu era o homem aranha... eu... o Bem Dez...a Rapunzel..." E até pequenos choros do tombo do correr demais..." mas não foi nada"...
Quando eles se vão e o silêncio da noite toma conta da casa, os risos, os beijos, a festa povoam cada canto. Não sei porque, mas a casa ri. E a lua cheia guarda no horizonte a esperança de um novo dia.
Para além dos ovinhos e coelhos, a Páscoa traz pitangas coloridas e frescas como o olhar de uma criança.
A Academia Sul-Brasileira de Letras, convidando você, caro leitor, para a posse de Inalva Nunes Fróes que acontecerá às 20 horas de amanhã, no salão San Sebastian, na estrada do Laranjal, lembra que é tempo de Páscoa, tempo de pitangas saborosas e coloridas, tempo da gratuidade do viver, do conviver e do conversar: tempo de literatura.
Jandir João Zanotelli (da coluna do Diário da Manhã, 19/04/12)
No Laranjal, porém, no passeio da rua e no jardim, a pitanga floresce e amadurece o ano todo. Várias floradas para festa das crianças e dos passarinhos.
Hoje, 8 de abril, domingo de Páscoa, 9 horas, no sol cálido de outono que libera as crianças do friozinho da noite, lá vem Ana (6) e Juliana (4) em suas bibicletas cor de rosa. O olhar solícito da mãe acompanha-as desde a porta de sua casa até baterem no portão da casa do vô. E vêm correndo, bicicletas atiradas no pátio, com abraços e beijos para que o vô não lembre com tanta saudade da vó que se foi há duas semanas. E chegam convidando a Lica para apanhar pitangas.
Dez minutos e estão sentadas, dois copos grandes de pitangas lavadas e frescas:
- Olha essas pretas graúdas, vô, têm um azedinho doce tão bom... essas rosadas, são menores mas mais doces.
Eu olho a ternura infinita daquelas duas netas, de olhos vivos, mais vivos que a vida, e pergunto:
- Por que vocês trouxeram essas deliciosas pitangas para o vô?
- Porque sim, ueh... pra dar pra ti. A gente gosta de ti.
- Então vocês me dão, por nada? Porque sim? Que bom!... Vocês sabem, isto é o mais bonito da vida. Dar as coisas por nada, porque sim, porque gosta... Uma vez eu pensava: por que Deus fez o mundo e as pessoas? E descobri que era por isso: porque sim, por nada, porque gosta, de graça, pra fazer acontecer a alegria no coração da gente... O vô fica feliz porque na festa da Páscoa vocês trouxeram pitangas coloridas e gostosas... Que jeito bonito vocês encontraram para dizer: eu te quero bem.
Uns minutos de filosofia e depois, beijos e traquinagens.
O bando de priminhos chega e a casa se enche de música, de imaginações, de "eu era o homem aranha... eu... o Bem Dez...a Rapunzel..." E até pequenos choros do tombo do correr demais..." mas não foi nada"...
Quando eles se vão e o silêncio da noite toma conta da casa, os risos, os beijos, a festa povoam cada canto. Não sei porque, mas a casa ri. E a lua cheia guarda no horizonte a esperança de um novo dia.
Para além dos ovinhos e coelhos, a Páscoa traz pitangas coloridas e frescas como o olhar de uma criança.
A Academia Sul-Brasileira de Letras, convidando você, caro leitor, para a posse de Inalva Nunes Fróes que acontecerá às 20 horas de amanhã, no salão San Sebastian, na estrada do Laranjal, lembra que é tempo de Páscoa, tempo de pitangas saborosas e coloridas, tempo da gratuidade do viver, do conviver e do conversar: tempo de literatura.
Jandir João Zanotelli (da coluna do Diário da Manhã, 19/04/12)
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