domingo, 11 de março de 2012

José Anélio Saraiva completa cem anos

      Um homem simples, de múltiplas realizações, variadas amizades e de tanta história que cem anos até parecem pouco. José Anélio Saraiva, o homem que defende a existência de petróleo na Bacia de Pelotas, completa um século de vida segunda-feira, dia 12. Nascido em 1912, veio ao mundo antes mesmo de o Titanic afundar. E agora, com o interesse da Petrobras na região, poderá ver seu sonho realizado.

       Saraiva foi vereador em Pelotas por 20 anos, atuando em cinco legislaturas. Foi convidado para representar o município no Congresso Nacional de Defesa do Petróleo, em abril de 1955 no Rio de Janeiro. Lá, apresentou um relatório sobre a potencialidade do mar gaúcho. Foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Geologia e Geofísica. Estudou mineralogia em Buenos Aires e acompanhou engenheiros em variados trabalhos, função que lhe conferiu conhecimentos sobre as entranhas da Terra. Conviveu com Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek.
Foi subprefeito do Laranjal de 1977 a 1983. Também foi Conselheiro Hidroviário do Estado por três governos. Foi peão de granja, marinheiro e sindicalista. O tradicionalismo também é uma de suas paixões. Saraiva fundou o CTG Thomaz Luiz Osório e foi um dos fundadores do CTG Domingos de Almeida e do Piquete Ponta Alegre, em Arroio Grande.

       Dentre os 64 diplomas e certificados que possui, alguns estão estampados em uma das paredes de sua residência, no bairro Fátima. Lá, estão o primeiro lugar no Concurso de Trovas do Rio Grande do Sul, em 1971, e também no Concurso Nacional de Poesias, em 1985. É autor de uma série de 35 capítulos sobre a possibilidade de petróleo no Sul, publicada em jornal, além de seis livros.

       É membro da Academia Pelotense de Letras, da Academia Sul Brasileira de Letras, do Centro Literário Pelotense e da Casa do Poeta. Mas, dentre os atrativos da literatura, cita O poço do Visconde, de Monteiro Lobato. Qualquer semelhança é mera coincidência? No livro, que tem como pano de fundo o petróleo no Brasil, o personagem descobre um poço no Sítio do Picapau Amarelo.

       Filho de mãe uruguaia criada em Pelotas como brasileira, Saraiva deveria ter nascido na Rua das Traíras, no Areal. Porém, a mãe foi visitar a sogra, em Lavras do Sul, durante a gravidez e foi lá naquela terra que nasceu o centenário. Veio a Pelotas com cerca de cinco dias de vida. Não imaginava que chegaria a uma idade tão longeva.

       O segredo para viver tanto, explicou, é muito trabalho. “Nunca parei”, revelou. Não fuma e não bebe. Tem horário para dormir e acordar. Na mesa, não pode faltar arroz, feijão e massa. Pai de um casal de filhos - além de três que ajudou a criar -, avô de cinco netos e bisavô de quatro bisnetos, ele brinca, bem-humorado, que poderá, quem sabe, ter o privilégio de conhecer um tataraneto.
(fonte: Diário Popular 11/03/2012)

Nenhum comentário:

Postar um comentário